A endometriose é uma doença associada ao sistema reprodutor feminino que pode trazer um grande impacto na vida das mulheres.

A endometriose é uma doença inflamatória que acontece quando células semelhantes ao tecido que reveste o interior da cavidade uterina (o endométrio), se implanta e cresce fora do útero, podendo inclusive atingir outros órgãos.1,2

Ao fazer o sentido oposto ao fluxo menstrual, as células do endométrio se direcionam para fora do útero e se multiplicam em outros locais, como intestino, ovários, tubas uterinas, bexiga ou em outros pontos da cavidade pélvica.1,2

Quando isso ocorre, um processo inflamatório se desenvolve nesses locais, que vai gerar dor e todos os demais sintomas, além de poder levar à formação de cicatrizes, aderências e nódulos nos locais acometidos.1,2

No mundo, estima-se que de 5 a 15% das mulheres em idade reprodutiva podem estar acometidas com endometriose. No Brasil, as estimativas para a doença apontam para cerca de sete milhões de brasileiras que sofrem com essa patologia.3

As causas da endometriose ainda não foram totalmente esclarecidas, mas algumas teorias são apontadas pelos pesquisadores.3

O que pode causar a endometriose?

A explicação mais aceita é a da menstruação retrógrada. Isso ocorre quando uma parte do fluxo menstrual percorre o trajeto das tubas uterinas e cai na cavidade pélvica, ao invés de ser eliminado pela via vaginal. Assim, essas células endometriais podem se implantar nas paredes da cavidade pélvica ou na superfície dos outros órgãos mais próximos.

No entanto, a menstruação retrógrada é muito comum, ocorrendo em 70 a 90% das mulheres, logo essa teoria sozinha não explica totalmente o desenvolvimento da endometriose e outros fatores parecem estar envolvidos.4

Um desses fatores está relacionado ao componente genético. Sabe-se que a endometriose é mais frequente se algum familiar direto tem ou teve a doença. Além disso, algumas populações estão mais suscetíveis ao desenvolvimento da patologia.4

Já outras teorias apontam que fatores imunológicos, hormonais ou ambientais também podem estar envolvidos no desenvolvimento dessa condição.4

Mesmo que ainda existam dúvidas a serem respondidas, é importante ressaltar que as pesquisas sobre a endometriose avançam a cada dia. Hoje, os sintomas e tratamentos já estão bem definidos, colaborando para o diagnóstico precoce e controle da doença.4

Quais os sintomas da endometriose?

O principal sintoma da endometriose é a cólica menstrual forte, que tende a piorar progressivamente com o passar do tempo. Algumas mulheres podem inclusive evoluir com dor pélvica crônica, ou seja, independente do período menstrual. Esse cenário pode afetar diretamente na qualidade de vida da mulher e prejudicar a realização das tarefas cotidianas.4

Os sintomas variam em frequência e intensidade, tendo relação com o local da inflamação e algumas mulheres podem inclusive não sentir nada. Outras manifestações clínicas incluem:

  • dor durante relações sexuais;
  • aumento do fluxo e irregularidade menstrual;
  • alterações intestinais ou urinárias no período menstrual;
  • infertilidade ou maior dificuldade de engravidar (cerca de 30 a 50% das mulheres inférteis têm como causa a endometriose).4

Somente com uma avaliação clínica detalhada e com o auxílio de exames específicos é que os médicos conseguem confirmar o diagnóstico da endometriose e propor o tratamento adequado para cada paciente.4

Existe tratamento para endometriose?

O tratamento da endometriose envolve a prescrição de medicamentos e, em casos específicos, a cirurgia. A abordagem terapêutica varia de acordo com a queixa da paciente e da avaliação do médico.5

A endometriose é uma doença crônica e seus sintomas tendem diminuir ou mesmo desaparecer com a chegada da menopausa e o fim das menstruações. No entanto, ela pode ser controlada muito antes disso por meio do tratamento adequado.5

Caso tenha percebido aumento das dores relacionadas à menstruação ou algum dos sintomas ditos acima, procure um ginecologista de confiança e busque respostas. Não deixe que as dores impeçam você de realizar atividades rotineiras. A endometriose pode ser controlada!

Referências

1. INGLATERRA. NHS. Period pain. 2019. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/period-pain/. Acesso em: 16 ago. 2021.
2. MAYO CLINIC. Menstrual cramps. 2020. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/menstrual-cramps/symptoms-causes/syc-20374938. Acesso em: 16 ago. 2021.
3. SILVA, Carla Marins et al. Experiências das mulheres quanto às suas trajetórias até o diagnóstico de endometriose. Escola Anna Nery, v. 25, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/NTzvkB8pddYxGKX5xq5ywJb/abstract/?lang=pt#:~:text=Resultados,de%20apoio%20perante%20essa%20situa%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 19 de jan. 2022.
4. NÁCUL, Andrea Prestes; SPRITZER, Poli Mara. Aspectos atuais do diagnóstico e tratamento da endometriose. Revista Brasileira de ginecologia e obstetrícia, v. 32, p. 298-307, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/8CN65yYx6sNVhjTbNQMrB5K/abstract/?lang=pt#:~:text=Embora%20o%20diagn%C3%B3stico%20definitivo%20da,que%20a%20paciente%20apresenta%20endometriose. Acesso em: 19 de jan. 2022.
5. NAVARRO, Paula Andrea de Albuquerque Salles; BARCELOS, Ionara Diniz Santos; ROSA E SILVA, Júlio César. Tratamento da endometriose. Revista Brasileira de ginecologia e obstetrícia, v. 28, p. 612-623, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/BNdztrZdKbRT3ryx8Fx86RQ/abstract/?lang=pt. Acesso em: 19 de jan. 2022.

M-N/A-BR-08-21-0017 – APROVADO EM SET/2021