Durante a gravidez e o pós-parto, a mulher pode ter sua saúde mental comprometida. Isso acontece, pois, nesse período, é observado um aumento dos níveis de ansiedade e estresse.1,2

A gravidez provoca uma série de mudanças físicas, psíquicas, sociais, fisiológicas e emocionais na vida de uma mulher. Geralmente, essas transformações ocorrem de maneira saudável. Entretanto, em alguns casos, elas podem ser consideradas fatores de risco para a saúde mental feminina.1-4

Quadros de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de pânico e fobias podem ser diagnósticos de alguns casos de transtornos mentais nas fases de pré e pós-parto. Isso acontece, porque, cuidar de um bebê demanda uma série de novas habilidades, saberes e competências que podem proporcionar uma grande mistura de emoções, interferindo diretamente no equilíbrio emocional da mulher. Essa fase é conhecida como blues puerperal, termo em inglês que remete à tristeza que a mulher pode sentir logo após o parto.2,4,5

Hoje, no mundo, cerca de 18,4% das mulheres sofrem de depressão durante a gravidez e 19,2% das mulheres têm depressão durante os três meses após o parto. Para reverter esse cenário, é preciso identificar e fazer o tratamento precoce dos possíveis fatores de risco. Entre eles, estão:

  • depressão prévia;
  • estresse crônico;
  • gravidez de risco;
  • instabilidade financeira;
  • gravidez não planejada;
  • histórico de psicopatologia;
  • alterações intensas de humor;
  • ausência de rede de apoio.2,3,5

Tais situações, somadas às novas responsabilidades da maternidade e à vasta descarga hormonal, podem servir de gatilho ao organismo na ativação de doenças psíquicas.2,3

Como promover a saúde e bem-estar da mulher com ações preventivas?

É importante fazer um acompanhamento à gestante, para que se possa avaliar seu bem-estar durante o período pré e pós-parto. Algumas ações podem prevenir, detectar e tratar transtornos:

  1. Acompanhamento pré-natal: as consultas pré-parto são importantes para o desenvolvimento saudável do bebê e para a manutenção da saúde física e mental da mulher. Manter esse acompanhamento permite seguir com estado mental equilibrado, suporte clínico e emocional.4
  1. Ações de autocuidado: conhecidas por contribuir para o relaxamento físico e mental da mulher, as ações de autocuidado proporcionam mais disposição e energia, além de aliviar tensões, ansiedade e a irritabilidade. A mulher que consegue concentrar em seus processos e necessidades internas, supera mais facilmente suas ansiedades e entra em sintonia com o bebê.4
  1. Estilo de vida: manter uma dieta balanceada atrelada a uma rotina de prática de exercícios físicos — quando autorizada por um médico especialista.4
  1. Rede de apoio: o apoio à mulher é o aspecto mais importante da assistência materna. Ser ouvida pelas pessoas ao seu redor, com respeito e acolhimento, proporciona sentimentos positivos como o de segurança e cuidado no puerpério.4
  1. Massagens e ações de relaxamento: essas ações também ajudam a gestante a processar e superar as suas ansiedades. Dessa forma, a gestação pode ser vivenciada com mais equilíbrio e, consequentemente, o pós-parto tende a ser mais tranquilo.4

Compartilhar seus sentimentos em ambientes que se sinta segura e acolhida também contribui para sua saúde e bem-estar. Com a ajuda de profissionais capacitados e a presença amorosa de familiares e amigos, é possível superar essa fase desafiadora e vivenciar o momento de forma mais saudável e tranquila.

Referências

1. STEEN, Mary; FRANCISCO, Adriana Amorim. Bem-estar e Saúde Mental Materna. 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/vXhdpMXHcDxW6J8CdCwkRHy/?lang=pt. Acesso em: 08 out. 2021.]
2. GUERRA, Maria; BRAGA, Maria; QUELHAS, Isabel; SILVA, Rosa. Promoção da Saúde Mental na Gravidez e no Pós-parto. 2014. Disponível em: https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/18436/1/Promo%c3%a7%c3%a3o%20da%20sa%c3%bade%20mental%20na%20gravidez%20e%20no%20p%c3%b3s-parto.pdf. Acesso em: 08 out. 2021.
3. LEÔNIDAS, Fernanda de Medeiros; CAMBOIM, Francisca Elidivânia de Farias. Cuidado de Enfermagem à Mulher com Depressão Pós-parto na Atenção Básica. 2016. Disponível em: https://temasemsaude.com/wp-content/uploads/2016/09/16326.pdf. Acesso em: 08 out. 2021.
4. FALCONE, Vanda Mafra; MÄDER, Custódia Virginia de Nóbrega; NASCIMENTO, Christianne Freitas Lima; SANTOS, Joacira Mota Matos; NÓBREGA, Fernando José de. Atuação multiprofissional e a saúde mental de gestantes. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/MyTQvk6Md9rykvHCWHjpmBS/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 08 out. 2021.
5. Cantilino A et al. Transtornos psiquiátricos no pós-parto. Rev Psiq Clín. 2010;37(6):278-84. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rpc/a/nfBndszPxgSTqkh9zXgpnjK/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 18 out. de 2021.

M-N/A-BR-10-21-0029 – APROVADO EM OUTUBRO/2021