A gravidez provoca mudanças físicas e emocionais no corpo da gestante. Por vezes, a preparação do organismo para receber o bebê gera incômodos relacionados à estética corporal e, assim, futuras mamães podem desenvolver transtornos alimentares.1,2  

Durante a gravidez, as necessidades nutricionais aumentam e, em alguns casos, a dieta alimentar pode ser reforçada com a suplementação nutricional. Consequentemente, ocorre um aumento da ingestão energética, para que o feto tenha um desenvolvimento saudável.1,2  

É comum que as gestantes apresentem modificações no padrão alimentar habitual ou recusem determinados alimentos, o que pode resultar em distúrbios alimentares em algumas mulheres grávidas.1,2 

Os transtornos alimentares (TA) são considerados doenças psiquiátricas manifestadas na conduta alimentar. Nas gestantes, envolvem a preocupação excessiva com o peso e a forma corporal.1,2  

A presença de transtornos alimentares na gestação pode oferecer riscos materno-fetais, como abortamentos, baixo peso do bebê ao nascimento, restrição de crescimento intrauterino, prematuridade e microcefalia.3 

Dentre os TAs do período gestacional, destacam-se a anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno da compulsão alimentar e picacismo.1,2  

O que é picacismo? 

O picacismo é o termo dado para a compulsão e ingestão de itens não recomendados ao consumo para o período gestacional e alimentos não nutritivos.2  

O aparecimento da prática de picacismo em gestantes pode ser justificado por fatores emocionais, devido à imagem do corpo, e alterações hormonais que ocorrem durante a gravidez.2 

Entre os comportamentos mais conhecidos estão a geofagia, pagofagia e amilofagia.2   

A geofagia é caracterizada pela ingestão deliberada de argila ou tijolo. A vontade de consumir esses produtos pode estar associada com a deficiência de ferro no organismo, como é o caso da anemia. Em contrapartida, também associada à falta de nutrientes no organismo, pode levar à ingestão de amido de milho ou de mandioca. Já a pagofagia, caracteriza-se pelo consumo excessivo de gelo.2  

As consequências para mãe e feto podem variar de acordo com o tipo de substância ingerida. É comum as gestantes apresentarem náuseas e dores abdominais.2   

Se a gestante desejar consumir alimentos não recomendados ou prejudiciais à sua gravidez, é importante compreender melhor o caso com o apoio de seu médico.1 

Como os transtornos alimentares afetam o pós-parto e a amamentação? 

Mulheres com transtorno alimentar são mais propensas a ter um transtorno afetivo subjacente que, com as mudanças adicionais da gravidez, torna essas mulheres mais vulneráveis também à depressão pós-parto.3,4 

Outra preocupação está relacionada à amamentação. Mulheres com transtornos alimentares durante a gestação podem dispensar o aleitamento mais cedo do que a população em geral. 3,4 

Além disso, pesquisas com mães que manifestam transtornos alimentares sugerem que elas podem controlar negativamente a alimentação de seus bebês. 3,4 

Se você tem um transtorno alimentar e está tentando engravidar, procure um profissional de saúde para discutir possíveis tratamentos. Caso esteja grávida, consulte o seu médico. Ele pode te ajudar esclarecendo diversas dúvidas que possam surgir durante a gravidez e após a chegada do bebê, auxiliando nas mudanças que acontecerão em seu corpo.3,4 

Mantenha uma gestação saudável e pratique o autocuidado! 

Referências

1. DUNKER, Karin Louise Lenz; ALVARENGA, Marle dos Santos; ALVES, Viviane Pião de Oliveira. Transtornos alimentares e gestação: Uma revisão. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 58, p. 60-68, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/xrFfWbzG5dkdR9JjKW787td/?lang=pt. Acesso em: 17 dez. 2021. 
2. SANTOS, Amanda Maihara dos et al. Transtorno alimentar e picacismo na gestação: revisão de literatura. Psicologia Hospitalar, v. 11, n. 2, p. 42-59, 2013. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092013000200004. Acesso em: 17 dez. 2021.
3. WARD, Veronica Bridget. Eating disorders in pregnancy. Bmj, v. 336, n. 7635, p. 93-96, 2008. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2190274/. Acesso em:  17 dez. 2021. 
4. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Pregnancy and eating disorders. 2020. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng69/ifp/chapter/Pregnancy-and-eating-disorders. Acesso em: 17 dez. 2021. 

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