A depressão pós-parto é uma doença que pode se desenvolver em qualquer gestante e suas causas estão relacionadas a diversos fatores. Reconhecer os sintomas é um passo fundamental para o diagnóstico precoce e início do tratamento.

A depressão pós-parto é uma condição de tristeza profunda que engloba mudanças físicas e emocionais logo após a mulher dar à luz. Os sintomas surgem entre a quarta e oitava semana após o parto, podendo persistir por um ano.1-3

As alterações de humor podem afetar o vínculo entre a mãe e o bebê, sobretudo na afetividade entre eles. Para a criança, os efeitos da depressão pós-parto podem prejudicar o desenvolvimento social e cognitivo e deixar sequelas psicológicas ao longo da infância e adolescência.1,2

Alguns sintomas de humor depressivo são comuns nos primeiros dias após o parto devido às mudanças fisiológicas e hormonais desse período e a nova rotina da mulher. Esse quadro, também conhecido como “Baby Blues” geralmente se inicia nos primeiros 5 dias e não costuma durar mais do que 2 semanas. Entretanto, é importante observar a persistência desses sintomas para um diagnóstico precoce de uma possível depressão pós-parto.1-3

É por meio de uma avaliação completa e acompanhamento médico multidisciplinar que é possível mapear as causas, diagnosticar e o tratar adequadamente a depressão pós-parto.1

O que leva à depressão pós-parto?

A principal causa apontada pelos médicos são as alterações hormonais presentes no período gestacional e pós-parto. Além disso, a depressão pós-parto pode se associar a fatores que envolvem o bebê, estado físico e emocional da gestante, qualidade de vida e histórico de outros transtornos mentais.3-5

Alguns fatores de risco associados ao desenvolvimento da depressão pós-parto são:

  • ansiedade;
  • sedentarismo;
  • baixa autoestima;
  • situação financeira;
  • dependência química;
  • gestação não desejada;
  • quadro anterior de depressão;
  • grau de apoio do parceiro e familiares;
  • prematuridade e intercorrências neonatais.3,4,6

Vale lembrar que a depressão pós-parto não deve ser encarada como uma culpa, falha ou fraqueza da gestante. A gravidez é um período de transformações significativas na vida da mulher e, muitas vezes, essas novidades podem trazer inseguranças.4,5

Por isso, a qualquer sinal de tristeza emocional profunda é importante procurar ajuda profissional para reconhecer os sinais da depressão pós-parto.

Sinais de alerta para depressão pós-parto

Os principais sintomas incluem um sentimento de melancolia intensa e falta de motivação para encarar as atividades diárias. A intensidade e duração dos sintomas ajudam a diferenciar a depressão puerperal do “Baby Blues”. Esses sentimentos acabam interferindo em alterações no organismo, impactadas, principalmente, pela alteração da fome e do sono.3,6,7

Alguns sintomas que merecem atenção são:

  • ansiedade;
  • irritabilidade;
  • falta de energia;
  • choro frequente;
  • alterações do sono;
  • desinteresse sexual;
  • sentimento de culpa;
  • perda ou ganho de peso;
  • pensamentos depressivos.3,6,7

Caso perceba a persistência de alguns desses sintomas, procure ajuda de pessoas em que possa confiar e busque auxílio de profissionais especialistas em psicologia e psiquiatria. Falar sobre seus medos e inseguranças alivia a tensão e não deve ser encarado como vergonha.6,7

Cuidar da saúde mental durante a gestação é um passo importante que possibilita viver as emoções da maternidade de forma equilibrada. O cuidado com a mente garante qualidade de vida para a mãe e o bebê.6,7

Além disso, reconheça que as mudanças são naturais e busque aceitá-las. Com o tempo, adquira novos hábitos, descanse e fortaleça a autoestima. A depressão pós-parto é uma doença com tratamento!

Referências

1. RUSCHI, Gustavo Enrico Cabral et al. Postpartum depression epidemiology in a Brazilian sample. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 29, p. 274-280, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rprs/a/thrsdqpsdymLNtJpJgktpKq/?lang=en#:~:text=depression%20was%20used.-,RESULTS%3A%20A%20total%20of%20115%20women%20(39.4%25)%20had%20scores,relationship%20time%20had%20more%20depression. Acesso em: 19 de jan. 2022.
2. SCHMIDT, Eluisa Bordin; PICCOLOTO, Neri Maurício; MÜLLER, Marisa Campio. Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil. Psico-Usf, v. 10, p. 61-68, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusf/a/6HnH84JM9TGFPRG7hhhwwnD/?lang=pt. Acesso em 19 de jan. 2022.
3. PITTA, José Cassio N. ou PITTA, JCN (depende de como estão fazendo). Depressão no Puérpero – Fundamentação Teórica de um caso complexo. Especialização em Saúde da Familia – UNA-SUS. Disponível em: acessado em: https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/4/unidades_casos_complexos/unidade12/unidade12_ft_depressao.pdf. Acessado em 26 de ago. de 2021.
4. MORAES, Inácia Gomes da Silva et al. Prevalência da depressão pós-parto e fatores associados. Revista de saúde pública, v. 40, p. 65-70, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/YGRKmNycXk3gvjVVnmJGKwf/?lang=pt. Acesso em: 19 de jan. 2022.
5. IACONELLI, Vera. Depressão pós-parto, psicose pós-parto e tristeza materna. Revista pediatria moderna, v. 41, n. 4, p. 1-6, 2005. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/1927.pdf. Acesso em 19 de jan. 2022.
6. DA SILVA, Caroline Machado et al. Fatores, conhecimento, identificação de sinais e sintomas de depressão pós-parto pelos enfermeiros na atenção primária à saúde: revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 2, p. 4005-4027, 2021. Disponível em: https://brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/25511. Acesso em: 19 de jan. 2022.
7. ROLIM, Julianne Milenna Padilha; DA SILVA, Milena Freitas; DE SIQUEIRA TAVARES, Socorro Wesllaine. DEPRESSÃO PÓS-PARTO: MANIFESTAÇÃO BIOPSICOSSOCIAL. RECIMA21-Revista Científica Multidisciplinar-ISSN 2675-6218, v. 2, n. 6, p. e26449-e26449, 2021. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812008000300014#:~:text=Depress%C3%A3o%3A%20manifesta%C3%A7%C3%A3o%20biopsicossocial&text=O%20sofrimento%20e%20a%20dor,nas%20condi%C3%A7%C3%B5es%20fisiol%C3%B3gicas%20em%20geral. Acesso em: 19 de jan. 2022.

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