O nascimento de um bebê é um momento inesquecível e a escolha da via de parto pode gerar muitas dúvidas e expectativas para a família. Fatores como o preparo físico e emocional da gestante, incluindo seu conhecimento sobre os tipos de parto, são considerados determinantes na hora de dar à luz.1 

Antigamente, o parto era acompanhado por parteiras, sendo considerado um fenômeno instintivamente natural. Com o passar dos anos e, com o avanço da tecnologia e do conhecimento médico, foi surgindo nas instituições hospitalares a modalidade obstétrica, que tornou o trabalho de parto um evento sistematizado.2

Quais são os tipos de parto?

Existem dois tipos de parto: o parto vaginal e o parto cesariano (cesárea).3,4

Parto vaginal

O parto vaginal pode acontecer de duas maneiras: pelo parto vaginal assistido ou pelo parto natural.3,4

O parto vaginal assistido envolve a aplicação de fórceps ou de um vácuo-extrator na cabeça do feto, para guiar o desprendimento da cabeça do canal de parto, nas situações em que seja necessário. Já o parto vaginal natural é aquele que acontece sem nenhum tipo de intervenção médica.3,5

Embora as posições verticalizadas (como a posição de cócoras ou com uso de uma banqueta de parto) sejam as mais recomendadas para o parto natural, deve-se respeitar a liberdade de escolha da posição mais confortável pela gestante.6

Nas gestações de baixo risco, o uso de banheiras apropriadas pode auxiliar durante a fase inicial do trabalho de parto, podendo diminuir a dor, o tempo de trabalho de parto e a necessidade de analgesia. No entanto, não existem dados científicos suficientes para garantir a segurança do nascimento do bebê dentro da água e, portanto, as principais sociedades médicas não recomendam atualmente que o nascimento ocorra dentro da água.7,8

O ambiente hospitalar é considerado o ambiente mais seguro para a realização do parto, tanto para a mãe quanto para o bebê.9,10

Embora não seja recomendado pelas principais sociedades médicas, como o ACOG (Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia) e a Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), toda mulher tem o direito de optar por um parto domiciliar, desde que a gestação seja de termo, de baixo risco, e que as condições para um parto natural sejam favoráveis, além de que a gestante esteja informada sobre os riscos para a mãe e para o bebê. 9,10

Além disso, é importante que a gestante saiba de todas as condições necessárias para minimizar esses riscos, como o acompanhamento por equipe especializada preparada para atendimentos de urgência e o fácil acesso a um serviço hospitalar de referência.9,10

Parto cesariano

O parto cesariano ou cesárea é o procedimento cirúrgico que retira o bebê pela via abdominal, por meio de um corte acima da pube materna seguida da incisão do útero.4,11

Embora a via vaginal seja a mais indicada na maioria das situações, a cesariana pode ser a melhor opção em algumas situações de risco materno-fetal. Alguns exemplos de indicações de cesariana são:

  • Placenta prévia;
  • Apresentações fetais anômalas, como o feto pélvico (“sentado”) ou transverso (“deitado”);
  • Sofrimento fetal agudo;
  • Falha no progresso do trabalho de parto;
  • Descolamento de placenta;
  • Infecções maternas, como o herpes genital ativo ou o HIV inadequadamente controlado;
  • Feto grande ou desproporção entre o feto e a bacia materna;
  • Gravidez múltipla (dependendo do número e posição dos fetos, e da idade gestacional);
  • Múltiplas cesarianas prévias;
  • Prolapso ou compressões do cordão umbilical;
  • Condições clínicas maternas (como algumas doenças cardíacas).4,11

Na ausência de indicações clínicas para uma cesárea, a via vaginal é a forma de parto preferencial e deve ser estimulada. No entanto, a gestante tem autonomia para decidir a via de parto que deseja.12,13

O conhecimento sobre os diferentes tipos de parto, possíveis riscos e principais benefícios são direitos universais das mulheres grávidas, previstos pela Aliança Global para Maternidade Segura. Sua preferência e escolha por um tipo de parto deve ser considerada em todas e quaisquer situações.13

Parto natural X Cesárea

O parto natural – com ou sem intervenções médicas – possui diversas vantagens para a gestante, pois:

  • o tempo de internação é menor;
  • o tempo de recuperação é menor;
  • existe um menor risco de sangramento;
  • menores riscos com complicações anestésicas.13

Para o bebê o parto normal beneficia a respiração após o nascimento. Bebês nascidos por cesárea tem maior chance de desenvolver problemas respiratórios, como a taquipneia transitória do recém-nascido, a síndrome do desconforto respiratório e a hipertensão pulmonar.15

Já a cesariana pode ser uma via muito efetiva na prevenção de morbidade e mortalidade materna e fetal, quando indicada corretamente por razões médicas. No entanto, apesar da comodidade do planejamento da data do parto, não existem evidências suficientes de que a cesariana traga benefícios adicionais para mães e bebês quando não há uma indicação clínica para sua realização.13

Como se preparar para um parto seguro?

O acompanhamento pré-natal é um dos principais elementos que contribuem para o desenvolvimento de um parto seguro tanto para a mãe como para o bebê. Com o apoio do médico obstetra para o acompanhamento de todos os estágios da gestação, é possível determinar qual a via de parto mais adequada ao seu caso, considerando todos os fatores de risco.13

Por isso, siga o acompanhamento profissional à risca e garanta um parto seguro e tranquilo para você e para o bebê.

Referências

1. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Gravidez, parto e nascimento com saúde, qualidade de vida e bem-estar. 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gravidez_parto_nascimento_saude_qualidade.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021.
2. LOUDON, Irvine. General practitioners and obstetrics: a brief history. Journal of the Royal Society of Medicine, v. 101, n. 11, p. 531-535, 2008. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/epub/10.1258/jrsm.2008.080264. Acesso em: 15 dez. 2021.
3. WEBMD. Types of Delivery. Disponível em: https://www.webmd.com/baby/guide/delivery-methods#1. Acesso em: 15 dez. 2021.
4. CLEVELEND CLINIC. Pregnancy: Types of Delivery. 2018. Disponível em: https://my.clevelandclinic.org/health/articles/9675-pregnancy-types-of-delivery. Acesso em: 15 dez. 2021.
5. THE AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (Estados Unidos). Assisted Vaginal Delivery: frequently asked questions. Frequently Asked Questions. 2020. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/assisted-vaginal-delivery. Acesso em: 15 dez. 2021.
6. BRASIL. FEBRASGO. Humanização no atendimento ao parto: uma contribuição para o livre exercício de opinião. Uma contribuição para o livre exercício de opinião. 2017. Revista Femina. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/67Z-ZFEMINA.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021.
7. THE AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (Estados Unidos). Immersion in Water During Labor and Delivery. 2021. Disponível em: https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/committee-opinion/articles/2016/11/immersion-in-water-during-labor-and-delivery. Acesso em: 15 dez. 2021.
8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (Brasil). Pediatras reforçam orientações sobre parto normal na água. 2020. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/pediatras-reforcam-orientacoes-sobre-parto-normal-na-agua/. Acesso em: 15 dez. 2021.
9. THE AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (Estados Unidos). Planned Home Birth. 2020. Disponível em: https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/committee-opinion/articles/2017/04/planned-home-birth. Acesso em: 15 dez. 2021.
10. FEBRASGO (Brasil). Assistência ao nascimento baseado em evidências e no respeito. 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/625-assistencia-ao-nascimento-baseado-em-evidencias-e-no-respeito. Acesso em: 15 dez. 2021.
11. THE AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (Estados Unidos). Cesarean Birth: frequently asked questions. Frequently Asked Questions. 2020. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/cesarean-birth. Acesso em: 15 dez. 2021.
12. FÉLIX, Hévyllin Cipriano Rodrigues; SILVA, Ana Carolina Lima; MATIAS, Thaís Gabriela da Cruz; MIRANDA, Bibiane Dias; SILVA, Sueli Riul da; RUIZ, Mariana Torreglosa. A percepção de gestantes sobre os diferentes tipos de parto. 2018. Disponível em: https://portalatlanticaeditora.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/2125/4141. Acesso em: 26 out. 2021.
13. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cadernos de atenção básica. ATENÇÃO AO PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO. Brasília, v. 32, p.148, 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf. Acesso em: 19 nov. 2021.
14. MAYO CLINIC. C-section: overview. Overview. 2020. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/c-section/about/pac-20393655. Acesso em: 15 dez. 2021.
15. THE AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (Estados Unidos). Cesarean Delivery on Maternal Request. 2013. Disponível em: https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/committee-opinion/articles/2019/01/cesarean-delivery-on-maternal-request. Acesso em: 15 dez. 2021.

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