A pílula anticoncepcional é um dos principais métodos contraceptivos utilizados pelas mulheres. Saber sobre seu uso e recomendações pode evitar efeitos colaterais e gravidez indesejada

A pílula anticoncepcional, muitas vezes referida apenas como anticoncepcional é um comprimido que contém hormônios responsáveis por inibir a ovulação e assim, impedir a gravidez. Além disso, ele é capaz de alterar aspectos do sistema reprodutor feminino dificultando que o espermatozoide desenvolva sua função.1

Esse método contraceptivo é amplamente utilizado pelas mulheres porque, além de impedir a gravidez, pode ter benefícios adicionais no controle dos sintomas da TPM, ajudam no tratamento da acne, endometriose, cólica e síndrome do ovário policístico (SOP).2

Vale lembrar que, assim como outros medicamentos, o anticoncepcional só deve ser indicado por um médico, pois somente após uma consulta e objetivos de cada paciente, será possível identificar o melhor método para cada organismo.

Quais são os tipos de anticoncepcionais orais?

Os anticoncepcionais podem conter um progestágeno (molécula parecida com a progesterona) combinado ou não a um estrogênio. Esses hormônios são muito semelhantes aos produzidos pela mulher. As diferentes dosagens, tipos e propriedades destes hormônios vão diferenciar uma pílula da outra.1,2

  • Pílula combinada monofásica: é composta de um estrogênio e um progestágeno em dosagens fixas. Esse é o tipo mais comum de pílula anticoncepcional.1,2
  • Pílula combinada multifásica: contém em sua fórmula um estrogênio e um progestágeno, em dosagens variáveis ao longo do ciclo.1,2
  • Pílula apenas de progestágeno: como o nome já diz, contém apenas o progestágeno na sua formulação. São mais utilizadas nas mulheres que estão amamentando e buscam evitar uma nova gestação ou naquelas que querem utilizar uma pílula, mas não podem utilizar estrogênios.1,2

Mesmo que amplamente utilizada e já conhecidos seus efeitos, dúvidas comuns surgem com relação ao uso da pílula anticoncepcional. Por isso, é importante saber o que é verdade e o que é mentira.

A pílula anticoncepcional tem efeito colateral?

A pílula é um medicamento e assim como todos os medicamentos, pode causar efeitos colaterais, embora nem todas as mulheres os tenham. Os principais riscos estão associados às doenças cardiovasculares em mulheres com histórico de hipertensão, enxaquecas e problemas de coagulação.3,4

Por isso, é importante realizar a consulta médica para que seja definida se a pílula é o método mais adequado e qual o tipo de pílula para cada mulher.

Qual a eficácia da pílula anticoncepcional?

Não existe nenhum método contraceptivo 100% eficaz e as pílulas anticoncepcionais estão nessa lista. A eficácia tem relação direta com a forma de administração, manipulação do medicamento, esquecimento da ingestão ou dosagens irregulares. Em condições de uso perfeito, a taxa de falha estimada em 1 ano é de 0,3%.1,2,5

O que acontece em caso de esquecimento da pílula anticoncepcional?

A pílula deve ser tomada diariamente e no mesmo horário. Ela perderá sua eficácia se for ingerida em um prazo muito longo após a última ingestão. Em caso de esquecimento, verifique a bula do produto ou questione o seu médico sobre as recomendações.1,2

A pílula anticoncepcional previne contra doenças?

O anticoncepcional tem sido usado para ajudar no tratamento de doenças relacionadas ao sistema reprodutor feminino, mas esse método contraceptivo não previne contra infecções sexualmente transmissíveis.2

A pílula do dia seguinte é um método anticoncepcional?

Também chamada de pílula de emergência, a pílula do dia seguinte pode evitar a gravidez após a relação sexual desprotegida. Em sua composição, utiliza compostos hormonais concentrados que atuam inibindo ou adiando a ovulação, dificultando a entrada do espermatozoide no útero. Esse tipo de método só está indicado em casos de emergência e não como método anticoncepcional de uso rotineiro.6

O uso e escolha da pílula devem ser feitos com acompanhamento de um especialista. Procure um médico de confiança e converse sobre as opções e efeitos do anticoncepcional. Seja ativa nas decisões que contribuem para o seu organismo.

Referências

1. FERREIRA, Laura Fernandes; D’AVILA, A. M. F. S.; SAFATLE, Giselle Cunha Barbosa. O uso da pílula anticoncepcional e as alterações das principais vias metabólicas. Femina., v. 47, n. 7, p. 426-32, 2019. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/12/1046533/femina-2019-477-426-4 32.pdf. Acesso em: ago. 2021.
2. WANNMACHER, Lenita. Anticoncepcionais Orais: o que há de novo. Uso racional de medicamentos: temas selecionados, v. 1, n. 1, p. 1-4, 2003. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/uso_racional_medicamento s.pdf. Acesso em: ago. 2021.
3. LIDEGAARD, Øjvind; KREINER, Svend. Contraceptives and cerebral thrombosis: a five-year national case-control study. Contraception, v. 65,n. 3, p. 197-205, 2002. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0010782401003067. Acesso em: ago. 2021.
4. SEEGER, John D. et al. Risk of thromboembolism in women taking ethinylestradiol/drospirenone and other oral contraceptives. Obstetrics & Gynecology, v. 110, n. 3, p. 587-593, 2007. Disponível em: https://journals.lww.com/greenjournal/fulltext/2007/09000/Risk_of_Thromb oembolism_in_Women_Taking.9.aspx. Acesso em: ago. 2021.
5. Family Planning: A Global Handbook for Providers. 2018 World Health Organization and Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/260156/9780999203705-eng.pdf?sequence=. Acesso em: jan. 2022.
6. BORGES, Ana Luiza Vilela et al. Práticas contraceptivas entre jovens universitários: o uso da anticoncepção de emergência. Cadernos de Saúde Pública, v. 26, p. 816-826, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/J9Hhp45PbCgzWd6w8Dhgrdh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: ago. 2021.

M-N/A-BR-08-21-0013 APROVADO EM AGO/2021 – VÁLIDO POR 1 ANO